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Que vida, deuses meus!,
Que vida vazia levava eu!...
Andava loucamente só, por estradas ermas,
Bebia sempre com dois copos à mesa,
Conservava sempre vago um lugar ao meu lado,
Amava por amar,
Vivia só porque vivia!...
Os companheiros que buscava
Achava-os em casa,
Em qualquer casa,
À beira de qualquer caminho;
Bastava-me querê-los,
Bastava-me sentir a minha necessidade,
Mas..., encontrarem-me? -só a música e a poesia!
Em boa ou má hora coisas ruins me atingiram,
Tornei-me mais infeliz do que já era;
E hoje me restam tão só memórias, lembrares:
-A certeza de que eu era realmente pouco feliz,
O saber quão sozinho cresceu em minh´alma
O desejo de concretizar planos nunca pensados,
O impulso de mudar totalmente de vida!
Será bom?..., será mau?..., como saber?...
Dias acinzentados não me atraem mais,
Ao sorriso da infelicidade não responderei!
Só tenho medo de abusar dos desejos animadores
De andar pouco, mas já não só,
De fazer a minha solidão sempre a dois,
De amar sem peias, mesmo que morra de amor!

Leyla Gomes
PET 23.10.1960+2/15HS00MS
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