Ontem eu te pedi que no amanhã de hoje,
Quando a noite se apresentasse em penumbra
Esperasses-me! E sabia que me esperarias
Trajando vestes puídas pelo desejo,
Travestindo esperanças da certeza de “tocares” de amor,
Alimentando-se de sonhos de abraços sensuais,
Sorvendo os segundos nos minutos de ânsias visionárias
Sentidos como se fossem horas que jamais acabassem!

Talvez tu riste!..., não!   Talvez não!, tu riste!,
Mas tenho certeza, usaste teu riso feito de gargalhar
Como armadura protetora da dor que
Vem te assolando o corpo rasgado pela presença
Do amor insatisfeito pelo meu amor,
Tão perto e longe das carícias que trocávamos
Tornadas inatingidas na plenitude de afagos
Que às circunstâncias nos obrigávamos!

Mas?..., que fazer, amor meu, senão esperarmos,
Aguardarmos pelo momento propício
Que nos desse o isolamento, a chance
De nos termos e presentearmos o nosso mundo
Sempre feito da solidão do nós para nós,
Do universo nosso, ilhado de paraísos,
Daqueles beijos amantes em que se tornam
Os beijos amigos que se pode trocar?

Cheguei;   chegamos;   vestes?, - pra quê?
Não é o amor a vestimenta insuperável para a saudade?
Não é o amor o algoz único temido pelo desejo?
Não é o amor no seu “fazer” o supremo criador da vida?
Não é o amor o pintor exímio de sorrisos amenos e sinceros?
Que esperarmos mais?...   Vem meu amor,
Deixa-me te fazer só do meu universo,
Deixa-me teus instantes, tudo o mais nada é!

Vem amor!, permita-me esquecer onde começas tu e acabo eu,
Vamos esquecer o que é tua pele ou a minha,
Deixa-me te levar a momentos que nem o sentir descreve,
Chora!, todas tuas lágrimas eu beberei com meu prazer,
Grita teu momento dentro da minha boca,
Desfalece em minha cama todas as forças que me entregaste,
E assim aprenderás para não mais esqueceres
Que o Beijo do antes jamais será igual ao Beijo do depois!...
 


Leyla Gomes.
PET. 27.12.2000+2/06HS15MS/17HS22MS
Poesia declamada no dia 16.09.2004 no III Concurso de Poesia
patrocinado pelo Jornal Luso Fluminense, o veículo de Divulgação da
Cultura Portuguesa no Estado do Rio de Janeiro, que agraciou, a presente poesia, com o
1º Lugar na Categoria Adulto Feminino.

 




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