Que estranha paixão é essa
Que meus olhos só à emoção enxergam,
Que minha boca só dos sentidos quer satisfação,
Que minhas mãos só às sensações querem sorrir,
Que meu corpo excitado só quer viver no tatear,
Que meus pensares só à paixão querem licenciar?
Que paixão é essa, estranha paixão
Que não quer dar vida a outras vidas,
Que não permite qualquer outra ternura,
Que não aceita o abraçar de qualquer palavra,
Que não respira não sendo o mesmo ar,
Que só se contenta do igual alimentar?
Que louca paixão é essa, estranha paixão
Que não aceita dois caminhares,
Que não admite outros beijos,
Que não descansa do fazer amor,
Que só adormece no colo do enlaçar
Que só sabe acordar se ouve o seu chamar?
Que absurda essa estranha paixão
Que transforma o morrer, em vida,
Que faz entender o dia, como noite,
Que leva a ver o sol, pontilhado de estrelas,
Que mostra a lua com um próprio brilhar,
Que dá a todas as cores um só anilar?
Que alucinada paixão, estranha paixão
Que não sente o tempo correr,
Que não atenta se é calor ou frio,
Que nem nota que outros seres existem,
Que o mundo lá fora está sempre a chamar,
Que os anos passam e a idade está a clamar?
Que doida paixão, estranha paixão
Que não quer ceder seu acontecer,
Que não consegue cumprir o comum,
Que não dá seu lugar ao calmo amor
Que deve suceder ao sexo que nos leva a desejar,
Que não me permite mais ver a vida sem te beijar?
Que estranha paixão é essa, senão amor?
Que?
Leyla Gomes
MARICÁ 15.04.2000+3/05HS.35MS.
http://www.leylagomes.adv.br/qestranhapaixaoeessa0155.htm
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